Se fosse ao contrário, gostava que me fizessem o mesmo

A Santa Casa da Misericórdia da Marinha Grande candidatou-se a acolher refugiados depois de um apelo feito pela União das Misericórdias, em setembro de 2015. João Pereira, provedor da Santa Casa da Marinha Grande há 25 anos, conta como tem sido a experiência e fala-nos da família que recebeu.

 

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“Quando a União das Misericórdias nos contactou para saber se tínhamos capacidade para acolher refugiados na Marinha Grande respondi imediatamente que sim. Sou provedor da Santa Casa há 25 anos, o que me levou a criar uma crescente preocupação social. E, além disto, esta é gente que está em guerra, que foge, que precisa de carinho e de quem os acolha com qualidade. Se fosse ao contrário gostava que me fizessem o mesmo.
O casal de refugiados que nos foi entregue chegou no dia 18 de dezembro de 2015 e, mal chegou, começamos a mobilizar-nos para tratar de tudo o que era preciso, nomeadamente a casa que decoramos com rosas para recebê-los e as aulas de Português.
Ele tem 28 anos e ela 32. Fugiram do Iraque e passaram pela Turquia, Macedónia, Grécia e finalmente por Itália, de onde vieram. Ela está completamente traumatizada. Viu a mãe ser morta à sua frente pelo Daesh. O primeiro dia em que a vi sorrir foi quando começou a trabalhar num lar de idosos, em abril, sendo que entretanto está de baixa porque foi mãe de uma menina chamada Maria! Ele também já está a trabalhar numa fábrica de montagens e moldes aqui na Marinha Grande. Vou perguntando todos os dias como está a correr o trabalho e o feedback que tenho tido é muito positivo.
Facto curioso é o que os motivou a vir para Portugal. O marido contou-me que quando lhe deram uma lista de oito países de entre os quais podiam escolher o que preferiam apontou de imediato “Portugal”. Porquê? “Porque gosto muito do Cristiano Ronaldo”, respondeu-me.space

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